quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

A última gracinha do ano

Só para terminar o ano com um quadro engraçado!!! E que além de tudo prova que não sou a única que não morre de amores pelas festas de fim de ano!!!

Além do mais... temos um antropólogo no meio!!!

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Acabou?!



Último dia do ano. Último texto do ano.

Lá se foram as nossas promessas, os nossos compromissos inadiáveis e todas as coisas que juramos cumprir ao longo de 2009. Eu mesma deixei inúmeras coisas por fazer e outras tantas fingi que esqueci.
Deixei de estudar para ver filmes, para conversar no msn, para esperar qualquer coisa que fosse.
Academia? Ah... Essa vai ter que esperar mais um pouco. Até dias atrás eu dizia que no próximo janeiro eu começaria, mas agora, que janeiro já está aí dando as caras...
Quanto aos estudos, sim, esses voltarão com força.
Há tempos que não faço mais projetos pro ano que começa. Tenho uma impressão que por mais que possa dar certo, só pelo fato de eu ter me preparado para tal coisa, ela desanda! Acho incrível.
Deve ter a ver com aquelas coisas de física quântica, lei da atração.
Li um dia desses um cara que dizia que mesmo quando a gente quer algo - ganhar na loto, por exemplo - o nosso cérebro cria uma série infinita de "porquês" que acabam nos boicotando. Exemplo: "Desta vez o prêmio da mega é meu!" Aí vem o cérebro:"Mas tanta gente jogou e as probabilidades são tão pequenas..." Então pimba! Nos auto-boicotamos e deixamos de ficar milionários...
Se fosse tão simples assim a gente até tentava resolver não é?
Acredito que também incidimos neste erro, mas acredito também, que a gente faz corpo mole e acaba criando empecilhos para não realizar algumas coisas.
Mais um exemplo pessoal: este ano - de novo - eu me matriculei para enfim fazer minha licenciatura em Ciências Sociais. As duas professoras do primeiro semestre eram o que eu sonhava. Incríveis, engraçadas, sensíveis, enfim... Do tipo que faz com que as 4 horas de aula parecessem 10 minutos, insuficientes para tudo o que elas ainda tinham a dizer. Mas... - sempre existe um mas... Uma das matérias previa estágio. Sério mesmo, eu acho estágio uma coisa totalmente inútil. Estou há pelo menos 19 anos em salas de aula. Apresentei jograis (alguém se lembra disso????), seminários, apresentei em congressos e toda sorte de eventos que contrariando minha gagueira diante de qualquer público. Por que preciso ficar dentro de uma sala de aula fazendo estágio?
Junto a isso, eu trabalhava numa empresa onde as horas extras eram muito frequentes, logo... Saí das aulas. Com grande dor no coração é verdade, afinal, eu amo estar numa sala de aula, principalmente quando as pessoas que a dividem comigo colaboram para uma aula rica.
Onde quero chegar? Que neste caso, eu tinha tudo pra terminar o curso e pegar meu diplominha de licenciada, mas com uma coisa aqui, outra ali, parei o curso e até tentei dizer pra mim mesma que um dia eu retornaria e que as condições é que me forçaram a tomar essa decisão... Que mentira mais escabrosa!!!! Desisti e ponto final.
Então para 2010, eu espero apenas não começar nada que eu não consiga terminar, nada que eu não queira realmente realizar - tirando trabalhar, que isso eu não gosto, mas preciso fazer, afinal eu não tenho quem sustente a mim e aos meus gatos.
Espero que neste ano que começa e que me deixa mais próxima dos 30 eu não surte de vez e que as pessoas entendam que eu detesto essa época do ano sem, contudo, detestar a presença delas pra uma cerveja em comemoração a sabe-se o quê.
Espero também que os dias passem mais rápidos, as noites sejam mais longas, que o verão não continue sendo esta prévia do inferno que temos visto, que o inverno venha longo com com seus dias cinzentos e aprazíveis e que eu tenha muito mais dinheiro no bolso... até porquê, este ano a mega é minha!!!!!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Enfim, o fim



Nunca gostei das festas. Em especial das festas de fim de ano. Em geral há um estardalhaço desnecessário, todo mundo fingindo, ou talvez, me pergunto, esperando um momento para poder se libertar das amarras do cotidiano e entrar numa fantasia com data e hora para acabar.
As festas de fim de ano então, para mim, são muito deprimentes.
As pessoas que se odiaram o ano todo chegam e se cumprimentam dando a falsa impressão de perdão, para na próxima semana - se muito - voltarem aos velhos rancores e mágoas. A antiga mágica é um mito. O negócio é gastar muito, comprar presentes que lembrem aos outros a tua existência, nem que seja só por mais um ano. É sempre a mesma coisa: a chatice do amigo-secreto, a mesmice de abraços frios e desejos sempre iguais de feliz natal e próspero ano novo. Mas que prosperidade? Na maioria das vezes sonhamos com o "muito dinheiro no bolso" e a "saúde pra dar e vender" a gente compra com esse dinheiro.
Enfim, sempre uma lorota, na qual, às vezes, você se deixa cair.
Em casa sempre tivemos um diferencial: é aniversário do meu pai. Não que isso marque muito a nossa festa de fim de ano, mas na maioria das vezes é apenas isso o que comemoramos.
Desde que saí de casa, no entanto, não tenho para mim como tradição voltar nesta época para passar a data entre os parentes, até porque isso mais me aborrece, mas em 2008 e neste ano, fui até lá para comemorar o aniversário do patriarca septuagenário.
Encontrei alguns parentes que há tempos não via, matei a saudade dos pais, e sofri com um colchão péssimo, num quarto pra lá de quente com muitos mosquitos como presente de natal, o que sem dúvida afastou qualquer remota idéia de permanecer mais tempo por lá. Mas duas coisas fizeram a viagem de 150 km valer à pena: o brilho inconfundível nos olhos de meu pai ao tirarmos o bolo surpresa e cantarmos parabéns como há muitos e muitos anos não fazíamos, e a certeza de que mais um passo foi dado.
Mais um passo rumo ao fim: ao fim das incertezas, dos medos, das tentativas frustradas, dos erros, das saudades, dos sonhos deixados de lado, dos projetos esquecidos, enfim de tudo o que planejamos há quase um ano e que por qualquer motivo que seja não deu certo.
Agora, rumamos para um novo ano, que para variar, traz com ele, todas as certezas que já tivemos, toda confiança que precisamos, todo brilho que queremos. A época das esperanças renovadas.
E quanto a este ano, bem ou mal, enfim, fim.

domingo, 13 de dezembro de 2009

A prisioneira



Aquela menina encantava. Tão cedo dada à arte de escrever.
Aprendeu a ler nos rótulos de produtos que a mãe comprava, sentada na escada de casa.
Na escola lia, escrevia, surpreendia. Todos os dias uma nova história.
Aos poucos escrevia seus pequenos livros. Livros para ela. Guardava-os com todo carinho em seu baú de recordações.
Mas para ela, nem sempre escrever era uma tarefa fácil: precisa se imaginar no papel de casa personagem. Precisava saber se aquilo poderia existir, se as emoções poderiam alcançar aquele ápice do qual ela falava. Então, atuava. Uma, duas, inúmeras vezes, até encontrar a perfeição. Era preciso dar vida às suas histórias.
Quando lia, não fazia grandes exigências: gastava do título, da capa, do nome do autor. Mas após as primeiras linhas, se não conseguia imaginar com ela mesma qualquer uma daquelas situações, abandonava a leitura. Dizia que o autor era um farsante. Concordava que escrever sobre as pessoas que se conhece não parecia boa idéia, já que se pode sempre omitir ou aumentar um fato como melhor convier, mas inventar sentimentos e situações que nenhum ser humano no mundo poderia viver... isso era inadmissível.
A menina cresceu, tornou-se moça, e os mesmos hábitos mantiveram-se. Nas aulas de português, era a menina dos olhos dos professores. Suas redações eram sempre premiadas. Os colegas alegavam que ao menos tinha um talento para se orgulhar, já que não era bonita, nem sequer elegante. Ossos longos, finos, pele pálida, como estivesse sempre se recuperando de um susto. Enquanto as garotas de sua idade já usavam sutiã, ele continuava com suas camisetas largas que não tinham o que esconder, seus jeans e tênis ha muito fora de moda.
Mas para o velho professor de português e literatura ela era um legítima pérola. Seu silêncio, sua languidez, sua timidez que a impediu tantas vezes de ler um de seus textos em sala ou nas semanas de comemoração da escola, tudo isso, segundo o velho professor, eram características de uma grande artista.
Segundo ela, tudo isso era repulsa. Repulsa por essa gente que se achava melhor que ela porque ficavam horas diante do espelho, ou correndo em esteiras indo para lugar nenhum. Repulsa pela vida sem sentido que guiava a muitos.
Não arrumava namorados, primeiro porque para eles, ela era estranha demais - "quem sabe não é sapatão?" diziam uns - depois porque para ela, estar ao lado de um corpo que não tivesse conteúdo algum era a pior desgraça que lhe podia ocorrer.
Passou os anos em livrarias, sebos, cafés culturais, sempre sozinha mas estranhamente feliz.
Alguns anos depois de se resignar a sair de casa apenas para o absolutamente necessário - vendia crônicas para um jornal da cidade - acordou de um pesadelo. Buscou incansavelmente uma ponta de sol que entrasse em sua casa, pela janela do quarto, da sala, da cozinha, do banheiro.
Não encontrou.
Sentou-se, respirou fundo. Afundou cada vez mais na poltrona e deu-se conta que era impossível sair dali. Havia criado uma muralha. Uma muralha de livros que lhe fechou todas as saídas, mas na qual vivia sua realidade treinada, feliz, mutável e ricamente elaborada na ponta de seu lápis.