domingo, 28 de novembro de 2010

Eterno retorno

Mais um fim de ano. Para este blog, o terceiro. Para mim, o vigésimo-nono. E sempre é quase tudo muito igual.
Desde que me lembro as coisas não sofreram muita alteração e olha que muita coisa mudou, principalmente nos anos mais recentes.
Mas o fim de ano não.
Lá vamos nós com nossas inúmeras compras, nas infinitas filas, tentando acreditar - e alguns até conseguem - que um presentinho aqui e acolá vai minimizar todas as malvadezas do ano. Que todos aqueles "eu te amo" que não dissemos serão agora esquecidos, afinal aquele Ipod tão esperado agora será o preço do perdão... É realmente irritante.
Se houvesse mesmo um velhinho bondoso ele estaria meio triste este ano, as crianças que mandaram cartas pra ele não pedem mais paz em seus lares, nem uma comida boa pra noite de natal que reuniria a família. As crianças de hoje quase não escrevem mais cartas. Muitas delas porque não se aprende mais a escrever nas escolas, outras porque não sabem se o papai Noel tem twitter, e afinal, escrever cartas é tão démodé...
Família reunida? Ainda mais em volta de uma mesa arrumada pra isso? Não. Nós não temos mais tempo para celebrar essas coisas, nosso tempo é dinheiro e as pessoas são um tanto enfadonhas. Então, aquilo que dava um certo charme é o que anda mudando nesta época. Não para mim, a bem da verdade - há muitos anos que não me importo com isso e embora ache espetacular quando minha família se reúne, prefiro que não seja no natal.
Ah, nossas crianças hoje esperam que o eterno bom velhinho traga as novidades do mundo high tech e da moda para suas imensas meias penduradas nas janelas, por falta das lareiras... Prova disso são algumas das cartas que li outro dia numa agência dos correios. Tênis sim, mas os "de marca" original. Material escolar sim, mas aqueles bem caros, que estão em destaque nas prateleiras caras das livrarias e papelarias.
Se insistem tanto em preservar o natal, os pais esquecem que deveriam colocar nas cabecinhas de suas pequenas crias que existe algo mais que o consumo desenfreado e vazio. Que o natal tem antes, um significado místico, transcedental. Mas os pais reproduzem aquilo que são. E tapam os buracos deixados pela falta de amor e atenção, com as últimas novidades do mercado.
E o natal vem pra ajudar. Pra ajudar o comércio, as famílias a mostrarem quanto vale seu amor e para continuar me aborrecendo. A mim e ao papai Noel.

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